Belo Horizonte — Uma semana após o episódio em que uma égua caiu na adutora do Sistema Rio das Velhas, deixando 715 bairros e mais de 900 mil pessoas sem abastecimento, moradores do Aglomerado da Serra, na região centro-sul da capital, relatam ter encontrado fragmentos suspeitos na água que chega às torneiras.
Segundo relatos, os resíduos seriam semelhantes a pedaços de pele e carne. A recepcionista Érica Teixeira Santos, de 35 anos, contou que encontrou o material dentro do bico da torneira da cozinha, logo após o abastecimento ser normalizado. “Quando olhei melhor, parecia um pedaço de carne muito estranho. Fiquei horrorizada, porque a água que usei até para preparar comida passou por ali”, disse.
A cabeleireira Fernanda Alves, também de 35 anos, relatou que sua mãe encontrou um fragmento “grosso, meio branco” enquanto regava plantas. A família afirma que, após o contato com a água, a idosa e os netos apresentaram diarreia. “Minha mãe ficou com muito medo e passou a comprar água mineral”, contou Fernanda.
Outros moradores também relatam problemas. Vanderli Oliveira, comerciante de 58 anos, disse que seu bar está há mais de uma semana sem água e que, em alguns pontos da comunidade, o abastecimento voltou com barro e válvulas entupidas. “Eu acredito piamente que isso esteja ligado ao caso da égua”, afirmou.
O que diz a Copasa
A Copasa informou que enviou equipes técnicas ao Aglomerado da Serra para realizar vistorias e coletas de água. Segundo a companhia, análises laboratoriais confirmaram que a água fornecida está dentro dos padrões de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde. A empresa destacou que, após o incidente, descartou toda a água da tubulação e reforçou a desinfecção com cloro.
A companhia também afirmou ter identificado uma ligação irregular em um dos imóveis vistoriados e garantiu que casos pontuais estão sendo tratados individualmente. Apesar disso, moradores seguem desconfiados e relatam mudanças na rotina, como a compra de água mineral para consumo.
O episódio reacende o debate sobre a segurança do sistema de abastecimento em Belo Horizonte e levanta questionamentos sobre a capacidade da Copasa em lidar com crises inesperadas.

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