Luziense autista denuncia barulho e omissão do poder Público em Santa Luzia

 


Uma denúncia recebida pelo Vitrine Notícias expõe uma situação grave envolvendo qualidade de vida, saúde e direitos de uma moradora autista em Santa Luzia. Ela relata conviver diariamente com o barulho intenso de uma marmoraria instalada nos fundos de sua casa — um cenário que, segundo ela, tem provocado crises e sofrimento constante.

A leitora Carla Caiz afirma que, além do ruído excessivo, há problemas estruturais causados pela atividade da empresa. A Defesa Civil chegou a emitir um laudo apontando infiltrações e risco ao muro da residência, mas, mesmo após o envio do documento aos setores competentes da prefeitura, nenhuma solução foi apresentada até agora.

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Para pessoas com transtorno do espectro autista, o excesso de estímulos sonoros pode ser altamente prejudicial, funcionando como gatilho para crises. No relato, a moradora destaca que o impacto não atinge apenas ela, mas também sua filha pequena, que apresenta sensibilidade ao barulho e está em processo de investigação para TEA.

A situação se agrava com o descumprimento de horários. Embora o funcionamento oficial da marmoraria seja até às 17h, as atividades continuam após o fechamento da loja. Um dos registros foi feito às 18h56. “As máquinas ficam ligadas o dia inteiro. Eu precisava esperar parar para que minhas filhas pudessem estudar, mas tem dia que o barulho vai até mais tarde”, relata.

Do ponto de vista legal, o caso pode configurar violação ao direito ao sossego, previsto no Código Civil, além de possível infração às normas municipais de uso e ocupação do solo, que restringem atividades potencialmente poluidoras em áreas residenciais. Também levanta questionamentos sobre a concessão de alvará de funcionamento em 2023, mesmo com indícios de funcionamento irregular desde anos anteriores.

Outro ponto crítico é a ausência de medição oficial do ruído. Sem o decibelímetro — cuja disponibilização pela prefeitura vem sendo adiada — a moradora enfrenta dificuldades para formalizar uma ação judicial, ficando em uma espécie de limbo burocrático.

O caso evidencia uma camada ainda mais sensível: quando a omissão do poder público impacta diretamente pessoas em condição de vulnerabilidade. Para quem vive com autismo, o barulho não é apenas incômodo — é uma questão de saúde.

Até quando situações como essa serão ignoradas?

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