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Mãe atipica denuncia assédio vindo do alto escalão da prefeitura após mobilização em defesa de leite para crianças especiais

 


Denúncias de mães atípicas expõem crise no fornecimento de insumos e suposto esquema de difamação política envolvendo altos escalões da prefeitura

Santa Luzia (MG), 1º de maio de 2026 — Uma série de áudios e mensagens vazadas de uma moradora identificada como Isabela revela um suposto esquema de difamação e violência política de gênero dentro da administração municipal. O caso mistura a interrupção do fornecimento de fórmulas nutricionais para crianças com deficiência e o uso de “pornografia de revanche” como ferramenta de silenciamento, expondo fragilidades da política local.

A Crise do Leite Especial

No final de 2025, mães atípicas denunciaram a interrupção do fornecimento de fórmulas infantis essenciais. O cancelamento de um pregão da prefeitura levou a protestos em frente ao prédio municipal, episódio coberto pela Rede Globo em 17 de novembro de 2025. Poucos dias depois, o jornal local Leia Agora registrou uma campanha solidária organizada pelas mães, que arrecadou recursos para comprar leites especiais como Fortini Plus e Isosource Junior.

Isabela, que se descreve como mulher com deficiência motora e de suporte nível dois, passou a cobrar soluções por meio de canais oficiais e redes sociais.

Retaliação e Machismo Estrutural

Segundo os relatos, a cobrança por direitos básicos foi respondida com ataques pessoais. Isabela aponta o Secretário de Governo, Carlos Aparecido Lomba, como articulador de uma reunião em que sua moral foi questionada.

“Ele disse em palavras bem garrafais que eu não poderia, que eu não tinha honra de cobrar esse leite... porque eu vivia numa putaria”, relatou Isabela.

A gestão, em vez de debater a falta de insumos, teria buscado desqualificar a denunciante com estereótipos de gênero, caracterizando violência política.

O “Gabinete do Ódio” Local

O ponto mais grave envolve a disseminação de material íntimo. Fotos pessoais de Isabela, misturadas a vídeos de terceiros, teriam sido distribuídas em grupos de WhatsApp como o “Acorda Santa Luzia”. A denunciante afirma ter provas de que os arquivos saíram do telefone do secretário Lomba.

Um homem, identificado como “Guto” que segundo isabela trabalhava na prefeitura, teria tido acesso a áudios em que o secretário ordenava a ação, mas alertou sobre o risco de “respingar na prefeitura”.

Silêncio das Instituições

Apesar de procurar a polícia e o Ministério Público, Isabela relata paralisia institucional. Em uma inversão comum em casos de assédio, o próprio secretário teria registrado boletim de ocorrência contra ela, tentando deslocar o papel de agressor e vítima.

Santa Luzia tem histórico de embates políticos intensos e judicialização de críticas à gestão pública, o que reforça o padrão de retaliação.

O caso não é um episódio isolado de fofoca digital, mas um exemplo de uso da máquina pública para cercear a liberdade de expressão de uma cidadã. Se confirmadas por perícia, as provas podem levar a processos por:

  • Difamação e injúria

  • Divulgação de pornografia sem consentimento (Art. 218-C do CP)

  • Improbidade administrativa, pelo uso de recursos públicos em perseguição pessoal

Nota editorial: A reportagem buscou contato com o prefeito Paulo Bigodinho e o secretário Carlos Aparecido Lomba. Até o fechamento desta edição, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.

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