O "Ato Falho" em Santa Luzia: Portaria de exoneração deixa no ar suspeitas sobre transparência na prefeitura
No xadrez da política municipal, as palavras impressas no Diário Oficial costumam ser frias e burocráticas. No entanto, a Portaria nº 26644, emitida pela Prefeitura de Santa Luzia, que desliga o Coordenador de programas sociais e cadastro único, quebrou o protocolo e acendeu a luz vermelha da especulação pública.
O motivo do espanto não é a demissão em si — afinal, cargos comissionados nascem com data de validade atrelada à vontade do governante. O verdadeiro escândalo reside na justificativa explícita assinada pelo prefeito Paulo Henrique Paulino e Silva. O texto afirma que a decisão foi tomada "CONSIDERANDO a necessidade imperiosa de se admitir de forma legal, transparente e idônea servidores para o Município".
A pergunta que ecoa nos corredores da Câmara e nas redes sociais é inevitável: se a prefeitura precisa demitir para garantir legalidade e idoneidade, o que imperava na coordenação dos programas sociais até agora?
Ao tentar justificar o ato de forma moralista, a gestão municipal acabou gerando uma saia justa para si mesma. Se havia irregularidades, a exoneração simples camufla um problema maior que deveria ser investigado? Ou teria sido apenas um tremendo "ato falho" de redação que expôs o ex-servidor a um julgamento público desnecessário?
Em ano de dinâmicas políticas acirradas, a transparência não pode ser apenas uma justificativa de rodapé em portarias; ela exige explicações claras. A população de Santa Luzia, que depende diretamente do Cadastro Único e dos programas sociais, merece saber o que realmente motivou essa "necessidade imperiosa".

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