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O nó da Rua Direta – O coração histórico de Santa Luzia virou pátio de manobras

 

Olhar para a ladeira da Rua Direta, na Cidade Alta de Santa Luzia, deveria ser um exercício de contemplação histórica. Afinal, estamos falando do principal eixo cultural do município, moldado pelo casario colonial e abençoado, no topo da colina, pelas torres do Santuário Arquidiocesano de Santa Luzia. No entanto, o que os cidadãos enfrentam diariamente ali é um cenário caótico de asfixia urbana, onde a história e a segurança dos pedestres foram sumariamente atropeladas.

As imagens recentes do trânsito na região expõem uma ferida aberta na mobilidade da cidade. Bem em frente à Câmara Municipal e na subida da centenária Escola Municipal Modestino Gonçalves, o que se vê é um verdadeiro atentado contra o patrimônio e a integridade pública. Uma fila desordenada de ônibus escolares pesados, vans de fretamento e carros particulares transformam o coração da nossa história em um gargalo intransitável.

Quem autorizou que o fluxo de veículos pesados engolisse a ladeira do nosso maior cartão-postal sem nenhum planejamento de engenharia de tráfego?

A polêmica atinge seu ponto mais crítico quando pensamos na vulnerabilidade daquela área. A Escola Modestino Gonçalves atende centenas de crianças. Ver ônibus desse porte disputando espaço em paralelepípedos escorregadios, manobrando em calçadas estreitas e espremendo veículos menores no horário de saída dos alunos não é apenas um transtorno: é uma tragédia anunciada.

Para além do risco iminente de acidentes com os estudantes, há o impacto silencioso e destruidor no patrimônio material. A trepidação constante provocada por frotas pesadas ameaça as bases das construções setecentistas e a própria estrutura do Santuário logo acima. O silêncio e o ar puro da Cidade Alta foram substituídos pelo ronco ensurdecedor dos motores e pela fumaça preta dos escapamentos.

O que acontece hoje em Santa Luzia é o reflexo de uma omissão histórica. Enquanto o poder público se omite, a Rua Direta agoniza sob o peso de um fluxo veicular que ela nunca foi desenhada para suportar. Falta fiscalização rigorosa na subida da ladeira, faltam rotas alternativas eficientes para o transporte escolar e falta, sobretudo, respeito ao cidadão luziense.

A Rua Direta e o entorno da Câmara pertencem à cultura e ao povo de Santa Luzia, e não podem continuar servindo como um pátio de manobras improvisado e perigoso. Se a prefeitura não acordar para organizar a mobilidade da Cidade Alta, o preço pago será a ruína da nossa própria identidade.

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