Governo Zema leiloa 95 escolas estaduais; cinco estão em Santa Luzia
Sindicato denuncia demissões e precarização; governo defende modelo de PPP para modernizar infraestrutura escolar
São Paulo/Santa Luzia – O governo de Minas Gerais, liderado por Romeu Zema, realizou no dia 25 de março, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), um leilão que colocou em concessão 95 escolas estaduais. O projeto, estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), prevê investimentos de cerca de R$ 5,1 bilhões, oriundos do orçamento da educação, e terá duração de 25 anos.
Em Santa Luzia, cinco instituições foram incluídas na lista: Escola Estadual Leonina Mourthe de Araújo, EE Geraldo Teixeira da Costa, EE Prefeito Aristeu Eduardo Moreira, EE Reny de Souza Lima e EE José Maria Bicalho.
Segundo o edital, a empresa vencedora será responsável pela gestão da infraestrutura, manutenção e serviços terceirizados, como limpeza e merenda escolar. O governo argumenta que o modelo busca modernizar a rede e garantir eficiência administrativa, sem interferir diretamente no ensino, que continuará sob responsabilidade da Secretaria de Educação.
Entretanto, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG) critica duramente a iniciativa. A entidade alerta para o risco de demissões em massa de funcionárias da limpeza e da merenda, que seriam substituídas por contratos terceirizados, com salários menores e jornadas mais longas. Além disso, denuncia que o leilão representa uma mercantilização da educação pública, transformando escolas em ativos financeiros e abrindo caminho para a expansão do modelo a toda a rede estadual.
O caso tem gerado forte debate em Minas Gerais. De um lado, o governo defende a PPP como solução para problemas estruturais e de gestão; de outro, sindicatos, professores e comunidades escolares enxergam a medida como uma ameaça ao caráter público da educação.
Em Santa Luzia, a inclusão de cinco escolas no pacote reforça a preocupação local: pais, alunos e trabalhadores temem que a “modernização” venha acompanhada de precarização e perda de direitos. O futuro da educação mineira, portanto, passa a ser discutido não apenas como política pedagógica, mas também como questão de soberania e defesa do serviço público.


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