Pular para o conteúdo principal

Ex delegado do Detran de Santa Luzia é condenado a 13 anos de prisão por organização criminosa, peculato e crime continuado

 

A Justiça condenou o delegado da Polícia Civil Christian Nunes de Andrade a 13 anos, três meses e dez dias de prisão, além de multa de 77 salários mínimos, por organização criminosa, peculato e crime continuado. Ele é suspeito de liderar um esquema de fraudes de blitze de trânsito e emissão de documentos de veículos no Detran de Santa Luzia, na Grande BH.

O crime foi denunciado em 2019 pelo Ministério Público de Minas Gerais, quando o delegado foi preso na Operação Cataclisma. Além de Christian, outros 15 suspeitos também foram denunciados pelo MP; desses, 13 foram condenados.

A decisão, assinada pela juíza Arlete Aparecida da Silva Coura, determina prisão em regime fechado e sem a possibilidade de recorrer em liberdade.

Entre os demais condenados estão outros integrantes da quadrilha, entre eles investigadores da Polícia Civil de Minas Gerais. No entanto, enquanto alguns foram condenados a até oito anos de prisão em regime fechado, outros poderão responder em liberdade e prestar serviços comunitários.

CLIQUE E SAIBA MAIS

Relembre o caso

Uma investigação do Ministério Público, Polícia Civil e Receita Estadual de dezembro de 2019 apontou o delegado Christian Nunes de Andrade como chefe de uma quadrilha que faturou mais de R$ 19 milhões fraudando blitze de trânsito e emissão de documentos de veículos no Detran de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Em cumprimento de mandados de busca e apreensão, os investigadores encontraram R$ 842 mil em dinheiro vivo.

O delegado era chefe da Delegacia Regional de Trânsito de Santa Luzia. Além dele, outras oito pessoas foram presas na época, entre elas policiais civis, militares, servidores cedidos ao Detran, despachantes, comerciantes de veículos e a dona de um pátio onde ficavam os carros apreendidos. No total, 16 pessoas foram denunciadas.

Os investigadores descobriram que, com a ajuda de policiais militares aliados, o delegado organizava blitze de trânsito e apreendia veículos com problemas de documentação. Em seguida, o grupo cobrava propina para liberar estes veículos, mesmo sem que as irregularidades tivessem sido resolvidas.

Os valores pagos pelas diárias nos pátios também eram divididos entre as empresas e os policiais do esquema.

Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça flagraram Emerson Rodrigues, funcionário da Prefeitura de Santa Luzia cedido ao Detran, indicando a um policial militar um local para que fosse feita blitz em um evento de motos. Mas alerta que o policial não devia atrapalhar porque pertencia a um aliado.

Minutos depois, o policial confirmou que a blitz estava sendo feita, com várias apreensões.

O relatório também indica que a dona de um dos pátios de apreensão retirava peças dos carros para vender. Equipamentos de som foram apreendidos pela polícia. De acordo com a investigação, o delegado usava uma construtora do irmão dele para lavar o dinheiro da propina.

O Ministério Público descobriu que a empresa não tinha nenhuma obra registrada no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), e que estava praticamente parada durante todo o período em que o dinheiro passou pelas contas bancárias.

Um dos pátios onde ficavam os veículos pertenceria ao próprio delegado, segundo o MP, o que é proibido. Para ocultar o negócio ilegal, a empresa estava em nome de laranjas. Christian Nunes de Andrade também mandava adulterar o sistema de informática do Detran para emitir documentos de veículos com irregularidades.

Em novembro de 2020, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou por unanimidade o pedido de liberdade ao delegado Christian Nunes de Andrade.


Fonte: G1

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dois casos de suicídio no Palmital acendem alerta em Santa Luzia

  A cidade de Santa Luzia enfrenta um momento delicado que exige atenção, responsabilidade e, acima de tudo, humanidade. Dois casos recentes de suicídio registrados no bairro Palmital — envolvendo um homem e uma mulher — acenderam um sinal de alerta que não pode ser ignorado pela sociedade, pelas autoridades e por todos que convivem no cotidiano da comunidade. Embora cada história carregue suas particularidades, situações como essas revelam um ponto em comum: o sofrimento silencioso que muitas vezes passa despercebido. Em meio à correria do dia a dia, é fácil não notar sinais de tristeza profunda, isolamento ou desesperança. No entanto, esses sinais existem — e, quando ignorados, podem levar a desfechos trágicos. O impacto desses casos vai muito além das vítimas. Famílias são devastadas, amigos ficam sem respostas e a comunidade inteira é atingida por um sentimento coletivo de dor e impotência. Por isso, falar sobre o tema não é incentivar, mas sim prevenir. O silêncio, nesse co...

Spray de pimenta liberado para mulheres: Câmara aprova projeto de lei para defesa pessoal

  A Câmara dos Deputados aprovou, na última semana, um projeto de lei que autoriza mulheres em todo o território nacional a portar e utilizar spray de pimenta como instrumento de defesa pessoal. A medida surge em resposta ao aumento dos casos de violência de gênero no Brasil e busca oferecer uma alternativa não letal para proteção individual. O texto aprovado estabelece regras claras para o uso do equipamento: O spray de pimenta poderá ser utilizado exclusivamente em situações de ameaça ou agressão, com uso proporcional e com o objetivo de permitir a fuga da vítima. O produto deve possuir registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não pode conter substâncias letais ou que provoquem efeitos permanentes. Mulheres a partir de 18 anos poderão adquirir e portar o spray. Adolescentes entre 16 e 17 anos terão acesso permitido apenas com autorização dos responsáveis legais. Em caso de uso indevido, o projeto prevê penalidades como advertência, aplicação de multas e até...

Foto da discórdia: reunião de Paulo Bigodinho com vereadores expõe racha político em Santa Luzia

  A foto publicada pelo prefeito de Santa Luzia, Paulo “Bigodinho”, que deveria simbolizar união política, acabou revelando o oposto: dos 21 vereadores da cidade, apenas 14 aparecem ao seu lado. O registro, feito durante uma reunião de alinhamento com a base aliada, expôs publicamente a divisão dentro da Câmara e reacendeu críticas sobre a condução da gestão municipal. 📸 A imagem que fala mais que mil palavras Na legenda do post no Instagram, o prefeito afirmou que o encontro serviu para “ouvir, alinhar ideias e planejar os próximos passos”, destacando projetos de infraestrutura e mobilidade. No entanto, o que chamou atenção foi quem não estava presente . A ausência de sete vereadores — quase um terço do Legislativo — sugere fragilidade na articulação política e levanta dúvidas sobre o real alcance da base governista. Em um momento em que o prefeito promete transformar Santa Luzia em “canteiro de obras” , a falta de consenso entre os parlamentares pode comprometer a aprovação de ...