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Como surgiu o mito de que os gatos pretos são sinônimo de azar?

 

Mesmo sem nenhuma comprovação científica, eles ainda são considerados um mau agouro.

Com a única diferença da pelagem, esses felinos são idênticos aos demais, mas ainda sofrem maus-tratos por serem pretos.

O preconceito contra gatos pretos ainda é recorrente em pleno século XXI, tanto que a ONG da Grã-Bretanha, Cats Protection, estima que a adoção deles demora cerca de 13% mais do que os demais bichanos. No Brasil, os números não são diferentes, na maioria dos abrigos, os felinos de pelagem escura são os últimos a serem escolhidos pelas famílias.

Voluntários e administradores de lares temporários para animais ressaltam que algumas datas simbólicas, como as sextas-feiras que caem no dia 13 do mês e o Halloween, podem significar perigo em dobro para os gatinhos pretos. Como são considerados maus agouros, podem ser sacrificados em rituais violentos por indivíduos que se passam por tutores respeitáveis e que só vão ao abrigo em busca desse tipo de animal.

Mas nem sempre as coisas foram assim, segundo uma reportagem da revista Galileu, no Egito Antigo, eles eram considerados divindades, portanto idolatrados pela população. Justamente por isso a Grande Esfinge de Gizé tem o rosto de um felino. Esses animais eram também responsáveis por conter a praga de ratos que acabava com as plantações.

A superstição de que eles dão azar teve início na Idade Média, e seus hábitos noturnos e pelagem preta começaram a ser sinônimo de contato direto com o demônio. Nas crenças medievais, o gato preto era amplamente associado à figura da feiticeira malvada — nessa mesma época, curandeiras e judeus eram perseguidos e queimados nas fogueiras.

No século XV, o papa Inocêncio VIII (1432-1492) fez questão de colocar o bichano na lista dos que deveriam ser perseguidos e assassinados pela Inquisição. A campanha teve seu auge na Inglaterra do século XVI, simultaneamente ao aumento exagerado da população de felinos nas ruas. Personalidades da Igreja Católica foi quem inverteu a lógica de que os bichanos deveriam ser reverenciados como divindades, e eles passaram a ser aniquilados de inúmeras maneiras torturantes.

Foi apenas em 1630, com um decreto do rei Luís XVIII, que a perseguição contra gatos acabou, mas não de maneira definitiva, já que na Europa e no resto do mundo muitos ainda sofrem maus-tratos. Esse preconceito enraizado, com base religiosa, permanece na sociedade, tanto que no nosso país muitos nem sequer pensam que a canção “Atirei o pau no gato” nada mais é que uma cena de violência explícita contra o animal.

Maus-tratos e a legislação

Em dezembro do ano passado, a Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado aprovou o projeto de lei que endurece a pena para quem praticar qualquer tipo de abuso e maus-tratos contra animais domésticos ou silvestres. O PLC n° 134/2018 está aguardando designação do relator, mas já recebeu sinal positivo da população, a qual aprova a ampliação do tempo de detenção por quatro anos para quem comete tal crime.

O abuso contra animais, que consiste em maus-tratos, mutilação, qualquer tipo de ferimento, pode ter agravantes de até um terço da pena, caso eles sofram zoofilia, sejam mortos ou o suspeito seja reincidente. Vale lembrar que todas as pessoas podem denunciar casos em que presenciam a violência de qualquer animal, mesmo que ele seja domesticado pelo suspeito em questão.

Abandono, envenenamento, ficar preso com correntes ou cordas muito curtas, local em espaços pequenos e anti-higiênico, sem iluminação ou ventilação, mutilação, agressão física, esforço excessivo, rinhas ou outro ato que configure maus-tratos podem ser denunciados à delegacia mais próxima ou à Promotoria de Justiça do Meio Ambiente.


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