PALCOS MILIONÁRIOS, CERTIFICADOS DE PAPEL: AONDE VAI O DINHEIRO DA EDUCAÇÃO E DA CULTURA EM SANTA LUZIA?
Enquanto os professores da rede municipal de Santa Luzia se desdobram para estruturar projetos de Educação das Relações Étnico-Raciais — exigência legal desde as Leis Federais nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 —, a Secretaria Municipal de Educação (SMED) lança a “Mostra Abebe: olhar e ser visto”. A proposta parece nobre na teoria: mapear e homenagear práticas pedagógicas antirracistas. No entanto, um olhar mais atento sobre a engrenagem orçamentária do município revela um contraste incômodo sobre como o dinheiro público é priorizado.
Recentemente, a Prefeitura de Santa Luzia homologou contratações de grande porte para locação de estruturas e equipamentos de eventos por meio da Secretaria de Cultura (Adesão nº 010/2026). Os contratos com as empresas Amistad Locações e MS Produções somam impressionantes R$ 689.760,00.
A contradição salta aos olhos: para a montagem de palcos, iluminação e geradores em eventos passageiros, o município empenha centenas de milhares de reais em contratos expressivos. Já para os educadores que sustentam no cotidiano das salas de aula o combate às desigualdades estruturais, a contrapartida oferecida pela prefeitura resume-se a um “Certificado de Honra ao Mérito” e ao reconhecimento simbólico em uma solenidade pública.
Até que ponto iniciativas como a Mostra Abebe promovem uma transformação estrutural e contínua, e até que ponto funcionam como vitrines institucionais enquanto a verba real escorre para a logística de eventos? Reconhecer o esforço dos docentes é fundamental, mas cobrar que a valorização da pauta Étnico-Racial se traduza em investimento direto nas escolas, em material didático de ponta e em valorização salarial contínua — e não apenas em certificados e palcos montados — é o mínimo que se espera de uma gestão pública compromissada com a equidade.

Comentários
Postar um comentário