A política nos municípios do interior de Minas Gerais frequentemente oferece espetáculos que flertam com a hipocrisia e o autoritarismo. O mais novo capítulo dessa novela de conveniências ocorre nos bastidores partidários de Santa Luzia, onde a dita “fidelidade partidária” virou uma ferramenta seletiva de intimidação: severa para os pequenos, inexistente para quem detém a máquina na mão.
Vazamentos recentes de conversas de WhatsApp e materiais de campanha expõem as entranhas do pragmatismo político que rege o cenário eleitoral. De um lado, santinhos oficiais mostram abertamente o alinhamento de lideranças locais do Avante — como o Prefeito Bigodinho, o vereador Banana Zé Ross e o suplente Gê — promovendo "dobradinhas" com candidaturas do Republicanos, estampando a imagem de Ilacir Bicalho ao lado do deputado federal Tibé. Para os caciques da cidade, fechar acordos informais com legendas adversárias há meses é visto como "estratégia".
Por outro lado, a régua moral muda drasticamente quando um cidadão comum ou militante resolve declarar apoio a outro nome — neste caso, gravando um vídeo com o deputado e delegado Christiano Xavier. A reação do grupo no poder foi imediata: tentativas de notificação por “infidelidade partidária”, bloqueios em redes sociais e discursos de retaliação.
O episódio explicita o duplo padrão da política local. A dita "infidelidade" só incomoda quando contraria os interesses do grupo gestor. Quando o prefeito e seus aliados promovem candidatos de partidos concorrentes nos bairros, chama-se articulação; quando um filiado faz o mesmo com um rival político, chama-se traição e enseja punição.
À medida que o "desespero" toma conta do tabuleiro às vésperas do pleito, a tentativa de amordaçar vozes dissonantes revela o verdadeiro rosto do coronelismo moderno: aquele que exige fidelidade cega da base, enquanto vende suas próprias alianças pelo melhor lance de conveniência

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